O olhar de quem cuida

Gravidez e parto merecem precisão técnica e escuta na mesma medida.

Assistência ao pré-natal, ao parto e ao puerpério baseada em evidências científicas, respeitosa e promotora de protagonismo. Sem a cultura do medo que patologiza a gestação — e sem a romantização que prepara mal para o que o parto realmente é.

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CRM-RJ
52.84509-5
RQE
53445
Especialidade
Obstetrícia
Consultórios
Ipanema e Barra
Dr. Pedro Melo em sala de parto, no chão, ao lado da parturiente
Dr. Pedro Melo agachado, assistindo a um parto Camila Neves

Sobre

Nasci em 1982, em Salvador. Me formei em Medicina pela Universidade Federal da Bahia, fiz residência em Psiquiatria no Rio de Janeiro, passei três anos em Terapia Intensiva e só então fiz residência em Ginecologia e Obstetrícia pela UFRJ, na Maternidade Escola.

Foi um caminho longo e cheio de mudanças de rota. Hoje entendo que nenhuma delas foi desvio: a psiquiatria me ensinou a escutar o que não está no exame, a terapia intensiva me ensinou o peso de uma decisão tomada em minutos, e a obstetrícia é onde essas duas coisas precisam existir ao mesmo tempo, na mesma pessoa, na mesma noite.

“Fingir que uma experiência é menos complexa não fará com que ela tenha, de fato, menor complexidade.”
Pedro Melo · Desromantizar sem perder a ternura jamais

O que orienta o cuidado

Três compromissos que atravessam cada consulta.

01

Evidência, não opinião

Conduta baseada na melhor evidência disponível e nas diretrizes de OMS e Febrasgo. Isso significa recusar tanto a intervenção desnecessária quanto a omissão travestida de naturalidade. A técnica existe para ser usada quando é necessária — e apenas quando é.

02

Expectativa realista

Você vai ouvir sobre a dor, o cansaço e o que pode não sair como planejado — junto com a beleza da experiência. Não porque a poesia não caiba no parto, mas porque orientação obstétrica em linguagem publicitária gera frustração e culpa depois.

03

Não há protocolo para o sofrimento

Protocolos garantem segurança clínica e são inegociáveis. Mas a dimensão emocional de cada gestação é singular e não cabe em fluxograma. Cada mulher chega com uma história, um medo e uma expectativa que precisam ser escutados antes de serem respondidos.

Depoimentos

O que dizem as gestantes que ele acompanhou.

★★★★★

Dr. Pedro foi a melhor escolha que eu poderia fazer para o acompanhamento pré-natal e do meu parto. Um médico competente e atencioso, nos escuta e acolhe nossas dores e medos. No dia do parto esteve ao meu lado, ouviu todas as minhas demandas e necessidades, me acalmou e conduziu tudo de maneira muito leve.

Gabriela Guerra Avaliação no Google
★★★★★

Pedro é um obstetra que vai além das consultas: o suporte não é só técnico, é emocional. Altamente especializado, passa toda a segurança que os pais precisam. Consegue equilibrar suas orientações de forma firme e leve, o que acho um dom. Consegui seguir com a via de parto natural que queria e sei que todas as suas orientações foram fundamentais para tanto.

Amanda Sanches Avaliação no Google
★★★★★

Antes da consulta com o Pedro, eu e meu marido já tínhamos ido a algumas obstetras e ainda não tínhamos nos decidido. O Pedro nos passou tanta confiança que saímos de lá com certeza que seguiríamos com ele. Durante a gestação tive algumas complicações, e ele se empenhou para que eu ficasse bem física e emocionalmente, trabalhando em conjunto com meu hematologista.

Amanda Guimarães Avaliação no Google

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Consultas em Ipanema e na Barra da Tijuca. O primeiro encontro é, antes de tudo, uma escuta — do que você espera, do que você teme e do que já te disseram até aqui.

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Sobre

Cheguei à obstetrícia pelo caminho mais longo.

Nasci em 1982 na cidade de Salvador, Bahia. Minha trajetória profissional foi marcada por mudanças de rota que, na época, pareceram hesitação — e que hoje reconheço como a formação que eu precisava ter.

Me formei em Medicina pela Universidade Federal da Bahia. Vim para o Rio de Janeiro fazer residência em Psiquiatria. Depois passei três anos em Terapia Intensiva. E só então fiz a residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluída na Maternidade Escola.

A psiquiatria me deu ferramentas para escutar aquilo que não aparece em exame nenhum: o medo que a mulher traz de casa, a história que ela ouviu da mãe, a expectativa que ela leu na internet às três da manhã. A terapia intensiva me deu outra coisa — a familiaridade com decisões que precisam ser tomadas em minutos e a noção exata do que está em jogo quando algo sai do previsto. A obstetrícia é o lugar onde essas duas competências têm que coexistir na mesma pessoa, muitas vezes na mesma noite.

O que eu busco oferecer

Uma assistência tecnicamente precisa, baseada em evidências científicas, respeitosa, acolhedora, promotora de protagonismo e potência. São seis palavras e nenhuma delas é decorativa.

Precisão técnica porque o parto é um evento fisiológico que, numa minoria de casos, deixa de sê-lo — e reconhecer esse momento é a parte mais difícil e mais importante do ofício. Evidência porque a alternativa é a opinião pessoal do médico, que historicamente já custou caro demais às mulheres. Respeito e acolhimento porque o corpo que está ali passando por aquilo é dela, não meu. Protagonismo porque a experiência pode ser transformadora quando a mulher a atravessa como sujeito, e não como paciente a quem as coisas acontecem.

Por que escrevo

Escrevo com alguma frequência sobre os riscos de romantizar o parto normal, e isso às vezes estranha quem espera de um obstetra humanizado apenas entusiasmo. Mas profissionais de saúde têm responsabilidade ética sobre o que dizem em público. Naturalmente fazemos autopromoção — o problema é quando o conflito ético inadvertido nos leva a transmitir informação imprecisa só para manter clientela.

A realidade tem muitas dimensões ao mesmo tempo: biológica, familiar, religiosa, ética, estética, técnica e poética. Ao falar de um fenômeno tão complexo quanto o parto, é preciso respeitar essa multiplicidade. Gestantes buscam informação que as prepare para desafios reais — segurança, manejo da dor, cansaço, emoção. Linguagem poética num anúncio de tênis é inócua; numa orientação obstétrica, cria expectativa que depois se converte em frustração e culpa.

O que proponho é uma abordagem dialética, que abraça a complexidade em vez de fugir dela: falar da dor, do cansaço e da beleza ao mesmo tempo. Fingir que uma experiência é menos complexa não fará com que ela tenha, de fato, menor complexidade.

Dr. Pedro Melo agachado, assistindo a um parto
O momento em que o ofício se resolve. Boa parte do trabalho, porém, aconteceu nos meses anteriores — na consulta, na conversa, na expectativa ajustada. Foto · Camila Neves

Formação e atuação

Os registros.

Formação

  • Medicina — Universidade Federal da Bahia (UFBA)
  • Residência em Psiquiatria — Rio de Janeiro
  • Três anos de atuação em Terapia Intensiva
  • Residência em Ginecologia e Obstetrícia — UFRJ / Maternidade Escola

Atuação

  • Coordenador de Serviço de Obstetrícia em maternidade de alto volume
  • Cerca de 10 anos de experiência na assistência ao pré-natal e ao parto
  • Mais de 500 partos assistidos
  • Assistência ao pré-natal e ao parto em gestações de alto risco
  • CRM 52.84509-5  ·  RQE 53445

Conhecer antes de decidir.

Escolher quem vai acompanhar sua gestação é uma decisão que merece uma conversa, não um formulário.

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O cuidado

O que acontece entre a primeira consulta e o pós-parto.

A assistência é contínua e a mesma pessoa acompanha o percurso inteiro. Não porque isso seja um diferencial de marketing, mas porque decisões difíceis no parto dependem de uma relação construída nos meses anteriores.

Pré-natal

Acompanhamento completo da gestação

O pré-natal não é uma sequência de exames com uma conversa curta no fim. É onde se constrói a informação que vai sustentar as decisões do parto — e onde há tempo para desfazer o que a cultura do medo já plantou.

  • Consultas com tempo real de escuta, não apenas conduta clínica
  • Solicitação e interpretação dos exames de rotina em cada trimestre
  • Discussão honesta sobre vias de parto, riscos reais e probabilidades
  • Construção do plano de parto como instrumento de diálogo, não como contrato
  • Orientação sobre dor, cansaço e o que pode não sair como o previsto

Parto

Assistência ao parto normal e cesárea

A conduta é a mesma que orienta tudo o mais: intervir quando a evidência indica e não intervir quando ela não indica. O parto normal é a via fisiológica e é assistido como tal. A cesárea existe, salva vidas e é indicada sem culpa quando é necessária — o que está longe dos quase 80% praticados hoje no setor privado brasileiro.

  • Assistência ao parto normal com respeito à fisiologia e ao tempo do corpo
  • Manejo da dor discutido previamente, com métodos farmacológicos e não farmacológicos
  • Cesárea quando há indicação clínica, com explicação clara do motivo
  • Ambiente e presença de acompanhante como parte do manejo, não como concessão

Gestação de alto risco

Quando a gravidez exige mais vigilância

Alto risco não significa abrir mão do cuidado respeitoso — significa que a vigilância aumenta e que as decisões precisam ser ainda mais bem explicadas. A experiência prévia em terapia intensiva pesa aqui.

  • Acompanhamento de gestações com condições clínicas associadas
  • Idade materna avançada e gestações por reprodução assistida
  • Articulação com as demais especialidades envolvidas

Puerpério

O tempo depois, que costuma ser esquecido

O acompanhamento não termina no nascimento. O puerpério é o período em que a expectativa frustrada vira culpa e em que os sinais de alerta — físicos e emocionais — passam despercebidos com mais frequência.

  • Consultas de revisão pós-parto
  • Escuta sobre a experiência vivida, inclusive quando ela não foi a esperada
  • Atenção à saúde mental materna e encaminhamento quando indicado

Onde atende

Maternidades e hospitais.

Os partos são assistidos nestas maternidades:

Perinatal Barra Perinatal Glória D'Or Casa de Saúde São José
Atendimento somente particular, sem convênio. O agendamento e as informações sobre valores são tratados diretamente pelo WhatsApp.

Escritos

O Olhar de Quem Cuida

Um canto seguro na rede para se informar e refletir sobre saúde na gestação e no parto. Textos longos, sem atalho e sem promessa fácil.

15 set 2026

Afinal, o que é um parto humanizado?

Da assistência marcada por cesarianas em série e por partos vaginais traumáticos ao Programa Nacional de Humanização do Parto e Nascimento, lançado em 2000: como o parto humanizado deixou de ser uma pauta de nicho e virou política pública, ciência e também prática na rede privada — sempre com a segurança, e não a via de parto, como objetivo final.

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20 nov 2025

Desromantizar Sem Perder A Ternura Jamais

Sobre a responsabilidade ética de quem fala publicamente sobre parto. Todo profissional faz autopromoção; o problema é o conflito ético inadvertido que leva a transmitir informação imprecisa para manter clientela. Usa a analogia do anúncio de tênis: linguagem poética num produto é inócua, numa orientação obstétrica gera expectativa frustrante.

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20 nov 2025

Não Há Protocolo Pro Sofrimento Humano

Protocolos são fundamentais para garantir segurança e eficácia — e questões psicossociais não cabem neles. O texto discute a inteligência emocional na prática médica, o caso da gestante que deseja um parto sem qualquer intervenção e o risco de expectativas irrealistas que se convertem em frustração e culpa.

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15 de setembro de 2026

Afinal, o que é um parto humanizado?

Por anos mulheres ficaram presas entre a cesariana por falta de opção e a realidade de partos violentos e sem segurança. Mas muita coisa mudou!

Histórico da Assistência Obstétrica no Brasil

O parto humanizado ainda é algo novo para muitas mulheres brasileiras. Entre interpretações românticas e outras vilanizadas, muito ainda se precisa divulgar para que a compreensão acerca do tema tenha mais proximidade com a realidade. E para entender melhor do que se trata, precisamos voltar atrás algumas décadas.

No final dos anos 90, as mulheres brasileiras se deparavam com um cenário difícil quando buscavam assistência obstétrica. Por um lado, taxas alarmantes de cesarianas (em alguns contextos acima de 90%), deixando claro que o desejo de um parto normal estava fora de perspectiva. E por outro lado, relatos negativos e por vezes catastróficos de experiências de partos normais repletos de intervenções, muitas das quais desnecessárias e perigosas, gerando nascimento traumáticos para mãe e bebês. Pra quem buscava se aprofundar mais no assunto as más notícias não paravam: índices de complicações obstétricas e mortalidades materna e neonatal elevadas, muito acima do que é esperado.

O Programa Nacional de Humanização do Pré Natal de Nascimento

Frente ao cenário em que nos encontrávamos, no início do anos 2000, o governo federal instituiu através da Portaria/GM nº 569, de 1/6/2000, o Programa Nacional de Humanização do Pré Natal e do Parto, que tinha como pilares:

Concentrar esforços no sentido de reduzir as altas taxas de morbimortalidade materna, peri e neonatal registradas no país; adotar medidas que assegurem a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto, puerpério e neonatal; ampliar as ações já adotadas pelo Ministério da Saúde na área de atenção à gestante, como os investimentos nas redes estaduais de assistência à gestação de alto risco, o incremento do custeio de procedimentos específicos, e outras ações como o Maternidade Segura, o Projeto de Capacitação de Parteiras Tradicionais, além da destinação de recursos para treinamento e capacitação de profissionais diretamente ligados a esta área de atenção, e a realização de investimentos nas unidades hospitalares integrantes destas redes.

Fundamenta-se então nos preceitos de que a humanização da Assistência Obstétrica e Neonatal é condição primeira para o adequado acompanhamento do parto e do puerpério. O programa compreende basicamente dois aspectos:

A convicção de que é dever das unidades de saúde receber com dignidade a mulher, seus familiares e o recém nascido; e a adoção de medidas e procedimentos sabidamente benéficos para o acompanhamento do parto e do nascimento, evitando práticas intervencionistas desnecessárias, que embora tradicionalmente realizadas não beneficiam a mulher nem o recém nascido, e que com frequência acarretam maiores riscos para ambos.

Percebe-se assim que o movimento da Humanização parte de uma necessidade e uma exigência das mulheres brasileiras e que evolui para um programa federal do Ministério da Saúde. Os objetivos claramente não se destinam única e exclusivamente a aumentar o número de parto vaginais no país. A transformação é mais profunda e mais essencial do que isso. Redução da mortalidade, redução das complicações, melhoria dos desfechos materno-fetais, mais acolhimento e melhores condições de atendimento: é isso que a Humanização tem como pilares.

A Produção de Conhecimento Faz Parte da Humanização

Apesar de ser um fenômeno brasileiro, a renovação das técnicas de assistência obstétrica acontecem no mundo inteiro e serviram como fundamentação teórica para a implementação da humanização.

Não são poucos os estudos que reviram práticas e desconstruíram mitos na obstetrícia. A manobra de Kristeller mostrou-se perigosa e associada a traumas ao concepto e tornou-se proscrita na medicina, hoje sendo considerada má prática e violência. A episiotomia foi revista aos olhos da ciência e perdeu seu lugar, não sendo mais praticada por muitos profissionais da humanização.

A Organização Mundial da Saúde publicou em 2018 as Recomendações de Cuidado Intraparto para uma Experiência Positiva de Nascimento, um marco teórico que reforça, baseado em evidências, o que os profissionais da humanização defendem como boas práticas. Em 2022 a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com o Ministério da Saúde, publicou a Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal, que segue referenciais teóricos semelhantes ao documento anterior da OMS. Ambos os documentos trazem a assistência humanizada, definitivamente, para o campo da ciência.

A Humanização do Parto no Cinema

No ano de 2013 é lançado no mercado cinematográfico brasileiro, após um fenômeno recorde de crowdfunding, o filme O Renascimento do Parto. Retratando a realidade obstétrica no Brasil de maneira crítica, o filme conta com depoimentos de mulheres anônimas, celebridades e especialistas na área médica. O impacto do filme é enorme: em seu ano foi o documentário nacional com a 2ª maior bilheteria nos cinemas do país, com mais de 30 mil espectadores, percorrendo 50 cidades durante 22 semanas.

Impactos na Assistência Privada

Assim como a vida imita a arte, frequentemente a assistência privada imita a assistência pública. Seguindo exigências populares e espelhando-se nas transformações vigentes no Sistema Único de Saúde, surgem então novas possibilidades na assistência privada. Um número maior de profissionais, vindos de programas de treinamento mais alinhados com a assistência humanizada, chegam ao mercado privado oferecendo uma assistência diferente. Respeitando as escolhas das gestantes, ainda que para um público privilegiado, essas equipes levam para dentro dos hospitais particulares modelos de assistência menos intervencionistas e mais acolhedores.

Não demora muito pra que essas instituições percebam o aumento da demanda por estruturas hospitalares que contemplem esse público feminino e passem também por transformações. Surgem então as salas de parto humanizado com controle de luz ambiente, disponibilidade de banheira e maior tolerância técnica às práticas da humanização. As equipes dessas instituições têm também suas práticas modificadas para valorizar e garantir privacidade, acolhimento e respeito às usuárias.

A Multidisciplinaridade Chega à Assistência Obstétrica

Como discutido acima, faz parte das práticas humanizadas, enxergar a gestante como um sujeito complexo e com necessidades humanas complexas. Nesse sentido, depositar todo o saber da assistência a essas mulheres apenas na medicina se mostra insuficiente. Outros profissionais são então convidados a participar na assistência e na produção de evidências científicas em torno da assistência pré-natal, ao parto e puerpério.

Doulas, enfermeiras obstetras, obstetrizes, fisioterapeutas, acupunturistas, fotógrafas são algumas das profissionais que passam a se envolver ativamente nos cuidados à gestação e ao parto e ampliam como nunca antes a capacidade de abrangência dessa assistência, durante tanto tempo restrita a médicos.

A entrada de doulas nas maternidades, por exemplo, torna-se direito garantido por lei em alguns estados, garantindo às mulheres assistência multidisciplinar. Muitos hospitais públicos e privados, montam equipes de enfermagem obstétrica para atendimento aos parto de risco habitual, deixando as equipes médicas concentrarem-se nos atendimentos de alto risco.

O que Significa Escolher um Parto Humanizado?

A humanização na obstetrícia tem como objetivo maior uma maior segurança ao parir. Nada é mais importante que isso. A necessidade de redução no número de intervenções surge principalmente do aumento de risco e complicações oriundas dessas práticas, especialmente quando aplicadas sem qualquer indicação. A via de parto vaginal, com o mínimo de intervenções possíveis, é, em condições habituais, a via que melhor contempla segurança e benefícios.

Vejam que em momento nenhum, o programa de humanização fala da via de parto vaginal como um objetivo em si. É sempre como um meio de reduzir as complicações cirúrgicas de cesarianas sem indicação. E saber indicar bem uma cesariana e realizá-la com habilidade e presteza é também parte da prática de um obstetra humanizado.

Nenhum profissional verdadeiramente alinhado com a humanização, vai forçar um parto ou obrigar uma mulher a viver uma experiência traumática para ter um parto vaginal. Isso não é humanização. A experiência da mulher no parto vem logo em seguida à segurança, e deve ser respeitada ao máximo. Mesmo quando as condições encontram-se propícias, é direito da mulher interromper a evolução do parto normal e solicitar a realização de uma cesariana.

Claro, em se tratando de uma equipe humanizada, parte-se do princípio que durante o pré-natal aquela mulher construiu seu desejo de um parto natural e com o mínimo de intervenções. Uma boa equipe saberá oferecer mecanismos de alívio da dor (farmacológicos ou não), encorajar, acolher os medos e inseguranças até que fique bem claro que não há mesmo como seguir.

Pedro Melo · Obstetrícia e Ginecologia

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20 de novembro de 2025

Desromantizar Sem Perder A Ternura Jamais

Muitas vezes pessoas me perguntam porquê escrevo tanto sobre os perigos de romantizar o parto normal. Tem um pouco de pessoal nessa escolha e tem também um pouco de um posicionamento profissional.

Quando um profissional se comunica com seu público, seja num ambiente individual, seja num ambiente coletivo (como as redes sociais), ele tem uma grande responsabilidade sobre as opiniões e informações que passa. E não tem como negar: nas duas situações estamos todos fazendo um pouco de propaganda de nós mesmos. Faz parte da natureza humana. Tanto pela vaidade de ser visto e validado, quanto pela necessidade de que pessoas conheçam e entendam seu trabalho. Nada disso é um problema. O importante aqui é reconhecer essa exposição para evitar conflitos de interesse. É importante cuidar da nossa dimensão ética (spoiler).

No caso específico dos profissionais de saúde, conflitos éticos inadvertidos, podem gerar a transmissão de informações sem precisão ou validade científica, com o único objetivo de atrair e manter uma clientela. E isso não pode, de forma alguma, acontecer.

O ser humano se utiliza de uma série de processos de pensamento e linguagem para compreender e dar conta da realidade. Usamos por exemplo a dialética, baseada na troca através do diálogo, para confrontar opiniões e chegar a consensos. A ética para pautar limites nas interações humanas. A estética para cuidar da forma. A técnica para definir campos teóricos e práticos. E a poética, rica em metáforas, para acessar as dimensões da beleza e expressividade. A linguagem romântica tende a usar uma abordagem poética. Não se espera nesse tipo de linguagem que as diversas dimensões da realidade e da linguagem sejam contempladas.

E o que cargas d'água isso tem a ver com parto? Tudo. O parto é um fenômeno da realidade e da natureza. Expressão máxima da vida. Tem infinitas dimensões: biológica, familiar, religiosa, ética, estética, técnica e, sim, também poética. Quando um profissional escolhe falar sobre esse tema, tem por obrigação (no caso, ética) de respeitar essas diversas dimensões. Uma mulher que busca um diálogo sobre essa experiência espera obter informações que lhe preparem para viver os desafios que se apresentarão. Questões como segurança (a sua e a do feto), manejo da dor, o cansaço, a lida com as possíveis emoções, tudo isso faz parte da preparação para a maternidade. Normalmente, não será na dimensão poética que encontraremos elementos desafiadores e que exijam preparação.

Vamos para a prática. Se eu lhes apresento um produto, um tênis por exemplo, e lhes digo que calçar esse tênis é como “pisar em nuvens”, estou usando de uma linguagem poética e romântica para ressaltar o conforto que essas sensações em teoria provocam. E se por acaso alguém experimenta o mesmo produto e tem uma opinião radicalmente oposta, vamos combinar, nenhum grande mal foi feito. Por outro lado, se em diálogo com uma gestante (ou coletivamente com várias) lhes digo que parir é como “atravessar um grande mar com ondas e uma brisa fresca no corpo”, existe uma grande chance de gerar uma expectativa potencialmente frustrante quando essa mulher tiver que lidar com uma madrugada inteira de dores intensas que vêm a cada três minutos.

O resultado é radicalmente diferente, se em processo dialético, ao longo de diversas trocas, aquela mulher for guiada para se aproximar, ainda que no campo das ideias, das múltiplas dimensões envolvidas. Parto não precisa ser difícil e sempre será profundo e complexo. É preciso abraçar essa complexidade e essa profundidade ao longo da gestação. Respeitando o ritmo e os limites que a história de cada mulher vai ditar. Falar sobre dor, sobre cansaço e sobre beleza. Encarar a possibilidade das emoções mais singelas e potentes, sem esquecer que pode haver medo.

Fingir que uma experiência é menos complexa, não fará com que ela tenha de fato menor complexidade.

Pedro Melo · Obstetrícia e Ginecologia

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20 de novembro de 2025

Não Há Protocolo Pro Sofrimento Humano

Nunca na história da humanidade se falou tanto em inteligência emocional. E não é por acaso. Cada vez mais reconhecemos (cientificamente) o papel das emoções na vida do ser humano, seja na funcionalidade da vida diária, nas relações interpessoais ou mais impressionantemente na modulação de funções orgânicas.

Em todas as área das ciências humanas, o nosso funcionamento emocional é considerado parte inseparável do todo. Não existe mais estudar qualquer aspecto humano sem levar em consideração o que aquele ser humano sente. Na medicina, é claro, esse novo paradigma tem importância capital. E na forma de atender está sendo uma grande revolução. Paciente que antes vinham em busca de um exame e uma receita, agora esperam escuta, acolhimento e compreensão. E eles estão cobertos de razão. Tanto que tem se usado cada vez mais a palavra “clientes” no lugar de “pacientes”. Deixando claro que o papel passivo e protocolar do sujeito em consulta mudou e muito.

Isso criou também um novo desafio para os profissionais médicos. Na medicina, somos ensinados a seguir protocolos como tendência universal. Em casos específicos, ou em partes específicas dos casos, deixamos espaço pra individualização. E isso é ótimo. Os protocolos tem a função de agrupar as intervenções em torno daquelas mais eficazes e seguras. Boa adesão a protocolos é um sinal de boa prática.

Existe porém uma questão que se coloca na prática médica. A atenção psicossocial, a parte da escuta, acolhimento e condução de questões psicológicas e sociais, é por via de regra baseada na individualização. Não existem protocolos pras questões da natureza humana. Especialmente quando a pessoa que se encontra à nossa frente encontra-se vulnerável, seja por um processo de doença, seja por uma gestação.

Cada mulher que nos procura, terá questões únicas e deverá seguir um caminho também único no seu processo de cuidado. Sejam mulheres que buscam um parto normal ou não, todas precisarão lidar com medos, angústias, dúvidas e certezas. E nós, profissionais da obstetrícia precisamos saber conduzi-las, pois é isso que essas mulheres esperam de nós. Não, não precisamos ser terapeutas e tratar, por exemplo, traumas de desenvolvimento. Não somos habilitados e não possuímos ferramentas para isso em nossa formação médica.

Não podemos, no entanto, fazer uma escuta sensível, abrir a conversa pra uma fala mais íntima e delicada, e simplesmente não fazer nada com isso. É preciso saber compreender onde dói, onde é forte, onde é mais vulnerável, onde dá pra ir e onde não dá. E é preciso também apontar caminhos. Tendo sempre em mente que um caminho nunca é igual a outro.

Vamos considerar uma situação hipotética. Imaginem uma mulher que tem um desejo muito bem elaborado de ter um parto normal e natural, sem nenhuma intervenção. Ela já leu e estudou muito sobre o tema. Conhece as intervenções possíveis e sabe de seus riscos e benefícios. Na sua construção de um ideal de experiência, ela percebe que seus maiores medos giram em torno da realização dessas intervenções e dos seus possíveis riscos.

Num caso como esse, sabemos que entrar na sala de parto com preocupações e tensões adicionais, pode criar um ambiente neuroendócrino não favorável à fisiologia do parto. E sabemos também que não temos a possibilidade de prever e controlar o desenrolar desse processo. Não podemos garantir, por exemplo, que não haverá uma alteração importante da frequência cardíaca fetal, com consequente indicação cirúrgica. Não podemos também excluir totalmente que essa parturiente, em alguma momento, solicitará analgesia.

Conduzir as consultas e formação de vínculo com essa mulher em torno de garantias que não podem ser asseguradas é um caminho pra frustração. E por vezes, mulheres que tiveram parto lindos, seguros e com intervenções pontuais e bem indicadas, saem dessas experiências super bem sucedidas sentindo-se culpadas e insatisfeitas.

Um caminho possível aqui, seria primeiro legitimar o desejo dela por um parto sem intervenções a partir de uma escolha pessoal e partir de dados técnicos que evidenciam sua segurança e seus benefícios, construindo um vínculo de confiança na sua autonomia. Ao mesmo tempo, trazer à tona nas trocas a impossibilidade de controle e o papel benéfico das intervenções bem indicadas. Criar um ambiente interno nela que não esteja amarrado em expectativas limitantes e que podem prejudicar não só a fisiologia do parto, como o direito de ser livre e ter uma experiência positiva e única.

Há alguns meses atrás atendi uma cliente que tinha exatamente esse perfil. Ao chegar às 41 semanas de gestação e ter que lidar com uma possível indução de parto. Se sentiu desconfortável com seu próprio corpo, trazendo à consulta sentimentos de culpa e a sensação de que havia algo de errado com seu processo. Discutimos ao longo da consulta sobre a libertação de si mesma em relação às estruturas de controle interno e às expectativas. E construímos juntos uma perspectiva de que parir é também aceitar as coisas como elas vierem, a partir do reconhecimento da perda de controle.

No dia seguinte ela entrou em trabalho de parto e teve um parto lindo e sem nenhuma intervenção. Escreveu em suas redes sociais algo do tipo: “Agradeço a anestesista por ter estado lá, e mais ainda por não ter precisado dela.” Essa mulher entendeu exatamente o que trabalho deveria fazer internamente.

É fundamental que nós médicos criemos um aparato teórico e prático para pode lidar, com escuta e manejo, com os dilemas psicossociais humanos. É nosso dever criar em consulta espaço para que as gestantes possam acessar suas dimensões mais pessoais e se sintam livres e estimuladas a questionar, desejar, desabafar e elaborar suas emoções e desejos.

É fundamental ainda que as nossas clientes possam percorrer esse caminho ao longo do pré natal. Um caminho que é só delas. Que não vai ser igual àquele das suas amigas, da sua mãe, das suas irmãs. Um caminho único. É preciso criar espaço interno para entrar em contato com as próprias emoções e se autorizar a ter a sua própria individualidade também na jornada de gestar e parir. É preciso se autorizar a querer diferente.

Pedro Melo · Obstetrícia e Ginecologia

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